Número de obesos alerta especialistas

Publicado na Folha de Pernambuco

1º/07/2011

Por Priscilla Aguiar

As facilidades tecnológicas e o sedentarismo vem provocando o aumento dos índices de obesidade e, consequentemente, de diabetes, doença caracterizada pelo aumento da glicemia no sangue e por sintomas como perda da sensibilidade, muita sede e uma vontade excessiva de urinar. O crescimento do índice de obesidade deixou os especialistas em alerta. A preocupação é baseada em dados da Pesquisa sobre Orçamentos Familiares (COF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) e Ministério da Saúde. O estudo aponta que, em 2009, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “A obesidade é o principal fator de risco para a doença e a diabetes tipo 2 tem uma relação íntima com a obesidade e a hereditariedade. Então, na medida que os índices de obesidade estão aumentando, é possível que tenhamos mais diabéticos”, alertou o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, médico Airton Golbert.

Ele está entre os participantes da 14ª edição do Endo Recife, que teve início ontem e reúne especialistas de várias regiões do Brasil e do mundo na área de Endocrinologia e Metabologia. A diabetes foi o foco dos debates de ontem. Entre os temas abordados estão a importância da qualidade de vida para a evitar a diabetes tipo 2 (DM2), a diabetes em pacientes psiquiátricos e a DM2 na infância e na adolescência. Enquanto a diabetes tipo 1 destrói o pâncreas e faz com que o paciente precise de injeções diárias de insulina, a diabetes tipo 2 é caracterizado pela resistência à insulina.

De acordo com Airton Golbert, a melhor maneira de prevenir a doença é ter um estilo de vida saudável. Apesar disso, a terapia de mudança de estilo de vida é considerada difícil de implementar e de pouco sucesso, principalmente em crianças. “Você pode ter pré disposição para a doença e não desenvolver. Porém, se a pessoa for obesa, a probabilidade de ter a doença é bem maior. A gente tem cada vez mais dificuldade de incorporar medidas saudáveis ao estilo de vida. Tem computador, celular, Iphone, jogos eletrônicos, uma série de coisas que diminuem a quantidade de exercícios e colaboram com o aumento do peso, unido a alimentos como o fast food”, destacou.

Dados do COF apontam a evolução no sobrepeso entre crianças e adolescentes. Entre os anos de 1974 e 2009 o índice subiu de 10,9% para 34,8% em meninos de 5 a 9 anos. A variação em meninas da mesma faixa etária foi de 8,6% para 32%. Em homens de 10 a 19 anos o índice subiu de 3,7% para 21,7% e em mulheres de 7,6% para 19,4%. “É importante identificar o risco de obesidade no início da vida, estimular a alimentação saudável e balanceada, evitar alimentos ricos em gordura e praticar atividades físicas”, salientou Airton Golbert.

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