Homenagem a Daisy Lima

A médica citopatologista Daisy Lima, recente e prematuramente falecida, recebeu homenagem durante a 20ª edição do EndoRecife. Na presença de familiares, no salão principal do congresso, aconteceu uma breve cerimônia com entrega de um certificado pela diretora da SBEM-PE, Lúcia Cordeiro. Compareceram ao Sheraton Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitna do Recife, onde acontece o evento, José Edson Nunes de Oliveira (esposo da Dra. Daisy), Maria Cristina Lima Nunes (filha), Ivete de Oliveira Lima (mãe), Vinícius Toledo (afilhado) e Maria Lúcia Matos (sócia).

Com o recurso de um filme, no telão, mostrando imagens da Dra. Daisy e alguns trabalhos seus, a Dra. Lúcia Cordeiro leu um texto da médica endocrinologista e amiga em comum Eliane Moura, intercalando com lembranças dos tempos de estudante de medicina, quando conheceu a patologista e com ela realizou vários trabalhos de iniciação científica. “Final dos anos 1980, a Citologia Aspirativa engatinhava no Brasil, mais ainda entre nós. No Recife, os primeiros casos de punções aspirativas de tereoide, realizadas por cirurgiões do Hospital das Clínicas da UFPE, do Hospital Barão de Lucena e do Hospital do Câncer, se prestaram a um estudo. Cerca de 100 espécimes citológicas de nódulos tireoidianas foram analisados pela Dra. Daisy Lima, em 1988, e serviram como seu trabalho de tese de mestrado”, destaca uma parte do texto lido durante a homenagem.

“No início da década de 1990, Daisy já fazia parte do corpo docente da Patologia do HC-UFPE e, no Serviço de Endocrinologia, o Ambulatório de Tireoide começava a se estruturar (…). Além da citologia, Daisy estudou todos os detalhes da técnica de punção aspirativa e, na época, sem contar com o ultrassom passou a fazer o procedimento em nódulos da tireoide e lesões superficiais palpáveis. Em 1993, já eram 500 casos estudados no Serviço do HC”, continua.

Daisy Lima criou o CICC, seu próprio serviço de Citopatologia. Rapidamente passou a ser reconhecida como citopatologista de referência, com ênfase para a Endocrinologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço local. Na sua formação, a americana Sudha Kini era referência maior, quanto à citopatologia das doenças tireoidianas, e Dra. Daisy repassava seus conhecimentos e experiência crescente para colegas, estudantes e médicos residentes. Ao longo das duas últimas décadas, a Citologia Aspirativa, sedimentou-se como marco metodológico universal, na avaliação da patologia nodular da tireoide. A PAAF guiada por USG tornou-se mandatória, pelo aumento da acurácia diagnóstica do método, se disseminando no nosso meio nos últimos 15 anos.

Daisy Lima é referência maior em Citopatologia no Norte/Nordeste, com respeitabilidade em todo o país. “Sua partida precoce deixou a medicina e, particularmente, a endocrinologia pernambucana, órfãs. Sua candura e firmeza, sua enorme disponibilidade ao ensino e aos que a procuravam, sua luta de tão longa data, são notórios para todos. Em seus amigos, entre os quais me incluo, com o coração apertado e olhos úmidos, fica sua lembrança viva e o sentimento de que valeu a pena. Você apenas ficou ‘encantada’, não será esquecida”, encerrou Lúcia Cordeiro.

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