Entrevista com o médico paulista Marcos Tambascia, formado pela Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

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Marcos Tambacia

Em qual caso a cirurgia bariátrica é indicada?

Quando o índice de massa corporal é maior do que 40; quando tentativas clássicas de perder peso não funcionaram, ou quando o IMC é maior que 35 e com alguma comodidade que vai melhorar com a perda de peso, como diabetes e hipertensão, por exemplo.

É verdade que pacientes obesos e diabéticos que são submetidos à cirurgia bariátrica apresentam normalização nos níveis de glicemia e insulina no organismo?

Sim. A maioria dos pacientes que tem diabetes e são obesos mórbidos quando submetidos à cirurgia bariátrica, apresentam uma melhora muito grande no controle glicêmico. Alguns deles que tomavam doses muito elevadas de insulinas deixam de tomar e passam a ser controlados ou só com dieta ou com drogas funcionais, mesmo se eles estavam tomando insulina antes da cirurgia. Agora, o que temos observado é que a pós-cirurgia bariátrica os pacientes recuperam o peso e com o tempo, podem voltar a ter novamente a diabetes. Em contrapartida, a diabetes pode voltar a aparecer mesmo sem ganho de peso, porque diabetes é uma doença de base genética, a pessoa tem dificuldade de produção de insulina e com o tempo, mesmo sem o indivíduo voltar a engordar, a célula pancreática vai cada vez menos produzindo insulina e pode o diabetes surgir novamente. O tratamento da diabetes inclui mudanças no estilo de vida, como prática de atividades físicas, dieta, então, pode-se dizer que a cirurgia bariátrica resolve temporariamente o problema do diabetes, não sendo definitivo.

Qual o melhor caminho para combater a obesidade e diabetes?

A epidemia mundial de diabetes anda em paralelo com a da obesidade. O melhor tratamento para obesidade é não deixar o indivíduo engordar. Ou seja, a prevenção da obesidade talvez seja a parte mais lógica que a sociedade deveria ter. Uma alternativa seria investir em campanhas de esclarecimento para população, além de rever a importância do papel dos clínicos e pediatras na orientação nutricional adequada para que as pessoas não ganhem peso. Porque, depois que o indivíduo ficou obeso, é muito difícil a perda de peso, mas mesmo assim, a orientação é basicamente mudança do estilo de vida, ou seja, aumento de atividade física e mudança no estilo alimentar.

 

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