Entrevista com a endocrinologista Geisa Macedo

GEISA MACEDO

Na sua opinião, o que é preciso para vencer a luta contra o sedentarismo?

Essa é uma tarefa não só dos médicos, mas também das autoridades de saúde. Governo municipal, estadual, dos secretários de saúde, dos médicos que trabalham na periferia, na atenção básica. Esses têm uma tarefa muito importante nesse combate, porque eles atingem um número maior da população. O médico especialista atinge um número menor nessa conscientização, uma vez que quando se vem procurar um especialista o problema já existe. É urgentemente preciso investir em programas governamentais de conscientização que batam de frente com a obesidade, atuando na prevenção do problema.

Existe droga milagrosa no tratamento da obesidade?

Atualmente existem medicamentos muito melhor que a sibutramina, substância só permitida no Brasil e que tem muita restrição n hora de ser prescrita por conta do alto percentual de acidente vascular associado ao seu uso. Não que ela seja de todo ruim. Existem nichos de pessoas que podem se beneficiar com o uso dela. O que não pode ocorrer é a sibutramina ser prescrita em massa. Vale evidenciar que nenhuma pessoa é igual a outra. Devemos tratar o paciente como um ser individual, logo, o que funciona para um não funcionará para o outro. Temos que estudar o paciente e assim prescrever o melhor tratamento medicamentoso para ele. Lembrando que o remédio por si só não emagrece ninguém, ele é apenas coadjuvante, não ator principal. Ou se se muda de estilo de vida, modificando os hábitos alimentares, fazendo exercícios físicos, ou não haverá nenhuma mudança. Em termos de medicamentos, existem muitas drogas aprovadas que em breve chegarão ao Brasil, que devem auxiliar ainda mais na luta contra a obesidade no país.

Criança obesa, adulto obeso?
As más escolhas na hora de se alimentar começa sem dúvidas na infância. É tarefa dos pais orientar as crianças, porque elas ainda não têm a consciência que um adulto tem. Se os pais não tomam uma atitude na infância, priorizando uma educação alimentar, seguramente estão cultivando adultos obesos e com futuras doenças associadas ao peso.

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