Disfunção sexual em homens pré-diabéticos

Sérgio Andrade, endocrinologista, CRM PE 25399

 

Disfunção sexual é a dificuldade para executar o intercurso sexual em quaisquer de seus estágios, gerando consequências reprodutivas e/ou psicológicas. Disfunção erétil, ejaculação precoce, déficit de orgasmo e desejo sexual hipoativo fazem parte desta síndrome. Estima-se que 20-30% da população masculina em geral apresentem em algum momento de suas vidas pelo menos um destes sintomas. Dentre os diabéticos, 34-45% apresentam disfunção erétil e 32% dos homens menores que 50 anos apresentam ejaculação precoce.

O pré-diabetes, uma desordem metabólica relativamente comum caraterizada por leve hiperglicemia, ainda é uma condição algo negligenciada. 37% dos homens norte-americanos são pré-diabéticos, porém apenas 9,4% conhecem seu diagnóstico. Disfunção sexual pode ser o primeiro sinal de pré-diabetes ou doença cardiovascular no homem, uma vez que tais patologias podem produzir este sintoma.

A disfunção erétil acomete aproximadamente 20% dos pré-diabéticos e mesmo formas leves de anormalidades do metabolismo glicídico podem aumentar o risco de disfunção erétil grave. Sua fisiopatologia é composta por uma associação entre vasculopatia, neuropatia, adiposopatia visceral, resistência insulínica e anormalidades endócrinas como hipogonadismo. Também contribuem para este quadro o aumento do estresse oxidativo, a disfunção endotelial e aterosclerose de vasos penianos, as baixas biodisponibilidade e atividade do oxido nítrico e a consequente insuficiência de relaxamento da camada muscular dos vasos dos corpos cavernosos penianos. Muitos deste eventos são reconhecidamente importantes no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Portanto, justifica-se um precoce reconhecimento, tratamento e prevenção do pré-diabetes.

Homens pré-diabéticos também apresentam maior taxa de hipogonadismo quando comparados a euglicêmicos, provavelmente por inibição direta da síntese de testosterona nas células de Leydig testiculares devido a resistência insulínica e aumento da leptina. A hipoatividade do desejo sexual, queda da libido, é manifestada já em fases iniciais do pré-diabetes e aumenta sua gravidade quanto pior for o controle glicêmico. Além do aumento do risco de deficiência de testosterona, também é evidenciado aumento das concentrações de estradiol, LH, FSH e SHBG neste grupo.

Sabe-se que homens diabéticos podem ter baixa resposta ao tratamento da disfunção erétil com inibidores da fosfodiesterase 5 devido à disfunção endotelial subjacente, porém ainda especula-se se tal resposta seria vista também em pré-diabéticos.

Diante destes novos fatos, é inadmissível encarar o pré-diabetes como uma pré-doença. Estamos diante de uma entidade nosológica causadora de inúmeras complicações, sendo uma delas a disfunção sexual, e potencialmente comprometedora da qualidade de vida dos pacientes, justificando cada vez mais seu reconhecimento precoce e tratamento.

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