Baixa estatura, hormônio do crescimento e suas consequências na vida adulta

Por Maria Paula Bandeira (CRM-PE 19761), Endocrinologista Pediátrica – Instituto FBandeira

Baixa estatura é umas das queixas mais prevalentes no consultório do Endocrinologista Pediátrico. Dentre as várias causas de baixa estatura temos erro alimentar, doenças da tireoide, doenças inflamatórias intestinais, deficiência de hormônio do crescimento, baixa estatura idiopática (sem causa definida) e pequeno para idade gestacional (PIG).

O hormônio do crescimento (GH) é tratamento de escolha para pacientes que apresentam deficiência clássica do hormônio do crescimento, porém a resposta do tratamento para baixa estatura de outras causas pode não ser semelhante.  O GH apresenta efeitos colaterais conhecidos como alteração da sensibilidade a insulina, desregulação das células beta pancreáticas e modificação da composição corporal.

O paciente que apresenta peso ou estatura ao nascer menor que 2 desvios-padrões do esperado para a idade gestacional (PIG) responde bem ao tratamento com GH ao melhorar sua previsão de altura final. Estudo publicado no jornal The Lancet em novembro de 2017 comparou o risco cardiovascular de pacientes nascidos PIG que fizeram uso de GH com grupo de pacientes nascidos PIG que não fizeram o tratamento.

O estudo Europeu realizado na Holanda seguiu os pacientes por 5 anos após a suspensão do tratamento com GH avaliando pressão arterial, espessura da camada íntima-média da carótida e perfil lipídico. Concluiu que não há alteração  do risco cardiovascular entre pacientes nascidos PIG que fizeram uso de GH em relação aos pacientes PIG que não fizeram uso de GH até 5 anos após o final do tratamento.

É importante lembrar que o hormônio de crescimento tem suas indicações precisas e asseguradas pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e que como toda medicação apresenta efeitos colaterais. Deve, portanto, ter seu uso criteriosamente avaliado por médico endocrinologista qualificado.

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