Obesidade, síndrome metabólica e esteatose – uma epidemia silenciosa

Dr. Luciano Albuquerque, endocrinologista – CRM/PE 14156 – RQE 2122

Preceptor da Residência de Clínica Médica do Hospital Otávio de Freitas

Preceptor da Residência de Endocrinologia do Hospital das Clínicas (HC/UFPE)

Diretor SBEM PE

 

A Doença Hepática Gordurosa não Alcoolica (DHGNA) já acomete 25% da população mundial, podendo chegar a números acima de 90% na população obesa. Abrange amplo espectro clínico, variando de esteatose (conteúdo aumentado de gordura hepática) a esteato-hepatite (NASH) onde ocorre inflamação e fibrose, podendo evoluir para cirrose e hepatocarcinoma. Em boa parte dos casos está associada fatores de risco cardiovasculares como obesidade, diabetes e síndrome metabólica. Tal associação fez surgir o conceito de Doença Hepática Gordurosa Metabólica (DHGM).

Pacientes com tal perfil de risco metabólico devem ser submetidos a triagem com realização de ultrassonografia e dosagem de transaminases. Diante da evidencia de esteatose, escores clínicos-laboratoriais são utilizados para avaliação do risco de fibrose avançada. Entre eles destacamos o NAFLD fibrosis score e o Fib-4. Exames de imagem para avaliação da elastografia por USG (fibroscan) ou RM também podem ser utilizados. A biópsia hepática segue como padrão-ouro para estadiamento. Por ser um método invasivo e com potencial risco de complicações, fica reservado aos casos com alto risco para cirrose, especialmente quando houver dúvidas na etiologia da doença hepática.

Para o tratamento da DHGM, mudanças do estilo de vida (MEV), com redução de peso corporal são a primeira escolha. Embora reduções em torno de 3% do peso corporal já resultem em melhora, perdas maiores do que 5 a 7% são necessárias para reduzir a inflamação e estabilizar a fibrose. Nas situações em que as MEV não alcancem tal resultado, o uso de fármacos para a redução de peso é recomendado. Existem dados na literatura com o uso de orlistate, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, além dos iSGLT2 canagliflozina, dapagliflozina e empagliflozina. A metformina não está associada a benefícios específicos relacionados à DHGM. Embora não esteja associada a perda de peso, a pioglitazona é o agente farmacológico com maior nível de evidência, com melhora de inflamação hepática e de alterações histológicas. Dessa forma é considerada o agente de primeira linha nos casos de NASH particularmente quando há fibrose.