“Sinto dificuldade em levantar pela manhã, cansaço persistente e irritação demasiada. Será que tenho fadiga adrenal?”

Por Frederico Rangel, Endocrinologista, CRM 18392

No consultório, nos deparamos de forma frequente com pacientes angustiados, queixando-se de sintomas incapacitantes, como cansaço, sonolência, irritação e ansiedade.  Recentemente, a chamada fadiga adrenal surgiu com a proposta de explicar e aliviar todas as queixas, trazendo esperança para muitos.  Mas, devemos confiar nesse diagnóstico?

A sociedade moderna tem exigido, cada vez mais, das pessoas. A falta de tempo e a necessidade diária de realizar múltiplas tarefas têm afetado a qualidade de vida assustadoramente.  A privação crônica do sono, a alimentação inadequada e o sedentarismo tornaram-se regras. As consequências são previsíveis e aumentam a cada dia: os níveis de obesidade tornaram-se alarmantes e cada vez mais pessoas sofrem de distúrbios psicológicos, como estresse e sintomas depressivos. Fadiga crônica, irritação e ansiedade tornaram-se cada vez mais comuns.

É bem verdade, que existem doenças (por exemplo: anemia, hipotireoidismo, níveis anormais de testosterona) que podem gerar ou agravar esses sintomas. Por isso, uma avaliação médica está sempre indicada. No entanto, deve-se ter muito cuidado quando queixas extremamente complexas estiverem associadas à soluções pontuais.

A fadiga adrenal  sugere a existência de uma redução  do hormônio cortisol, devido à uma falência parcial dessa glândula.  O tratamento com corticoides seria a solução. Além disso, traria vários benefícios, como aumento da concentração e melhora do sistema imunológico. Mas, a verdade é que a fadiga adrenal não é um diagnóstico médico reconhecido! Ela se baseia em sinais inespecíficos e o pior: o uso crônico de corticoides é capaz de gerar incontáveis danos, como elevar a pressão arterial e a glicemia, gerar ganho de peso e osteoporose.

A melhora de sintomas complexos virá através de uma abordagem multifatorial: avaliação médica, acompanhamento psicológico e nutricional, melhora da qualidade do sono, enfim, através de uma melhora da qualidade de vida como um todo. Desconfie de soluções milagrosas, que se propõem a resolver muito com pouco. Procure melhorar o estilo de vida e consulte um endocrinologista para uma avaliação responsável.